Paróquia

Em meados da década de 50, quando São Paulo começou a estender-se para além do Rio Pinheiros, em direção às colinas do Morumbi, vale lembrar que atravessar o Rio Pinheiros era viajar para o interior, o Sr. Werner Sack, já falecido, fez cessão de um terreno para que nele fosse construída uma capela, dedicada aos apóstolos São Pedro e São Paulo e que servisse a um Colégio de crianças, por ele edificado e mantido, e aos moradores do bairro. Nascia então a comunidade católica de São Pedro e São Paulo.

A Capela construída toda de madeira, no estilo dos chalés alpinos, entre árvores e flores, constituiu-se num toque europeu em meio à flora tropical, um dos últimos e miraculosos remanescentes da fisionomia bucólica da pacata Cidade do século XVIII.

Em 19 de março de 1965, o Revmo Sr. D. Agnelo, Cardeal Rossi, criou via decreto assinado na Cúria Metropolitana a Paróquia São Pedro e São Paulo nomeando o Revmo. Sr. Pe. José Griecco seu 1º pároco.

No dia 25 de abril de 1965 em Solene concelebração Eucarística, presidida por D. Agnelo Rossi, Cardeal Arcebispo de São Paulo, às 12:00h foi instalada a Paróquias de São e São Paulo, em uma bela manhã de Domingo de Páscoa.

Desde a posse ao Pe. José Griecco, nossa Paróquia passava a viver a realidade de ser um pólo aglutinador de pessoas que buscando servir a Deus celebravam e viviam sua fé em comunidade.

Com a responsabilidade de viver como Paróquia, as pessoas que aqui viviam eram comprometidas com os eventos promovidos pelo Pe. José Griecco.

Desde meados da década de 60, quando da criação e instalação de Paróquia de São Pedro e São Paulo, o bairro que já contava com algumas centenas de pessoas, crescia, e por isso o Senhor Cardeal Rossi determinou ao Padre José a escolha de um terreno, onde fosse construída uma nova Igreja que pudesse acolher o crescente número de fiéis em Cristo que procuravam a Paróquia.

Depois de muito trabalho, de parte do Pe. José em comunhão com o Cardeal Rossi, em 10 de dezembro de 1967 foi constituída a comissão de obras composta pelas seguintes pessoas:

Sr. E Sra. Dr. Ermelino Matarazzo; Sr. E Sra. Júlio Giorgi; Sr. E Sra. Dr. Antonio de Pádua Rocha Diniz; Sr. E Sra. Dr. Antonio Ermírio de Moraes; Sr. E Sra. Ricardo Vidigal; Sr. E Sra. Dr. Maury Freitas Julião; Sr. e Sra. Osvaldo Breyne da Silveira; Sr. e Sra. Dr. Olavo Xavier; Sr. e Sra. Dr. Manuel Garcia Filho; Sr. e Sra. Dr. Maurício Ferraz; Sr. e Sra. Dr.

Roberto Maluf; Sr. e Sra. Dr. Olacyr de Moraes; Sr. e Sra. José Hilário Samarone; Sr. e Sra. Domingos Forte; Sr. e Sra. Dr. Antonio Aloysio Salvador; Sr. e Sra. Renato Morganti; Sr. e Sra. Dr. Sérgio Ugolini; Sr. e Sra. Nicolau Lunardelli e Sr. e Sra. Oscar Americano, para construção da Igreja Matriz.

No dia 22 de maio de 1968, a Comissão decidiu convidar o arquiteto Oswaldo Arthur Bratke para a elaboração do projeto arquitetônico. Decididas, em sucessivas reuniões, as

linhas gerais do mesmo, o Dr. Oswaldo Bratke recomendou à Comissão o nome de seu filho Carlos Bratke. Este, em companhia do arquiteto Renato Lenci, apresentou o Projeto, que foi aprovado no dia 22 de novembro do mesmo ano. Decidiu-se, também, contratar a construtora Moraes Dantas para a realização das obras de concreto. A partir da segunda metade de 1969, começaram os movimentos para a arrecadação de fundos.

A pedra fundamental foi solenemente lançada, no dia 21 de dezembro de 1969. Mas as obras, efetivamente, só tiveram início, em setembro de 1970. Já então, governava a Arquidiocese de São Paulo, o Arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, que deu seu inteiro apoio à construção, encarecendo-lhe a necessidade e, em duas visitas às obras, em 8 de março de 1971 e em 19 de janeiro de 1972, teve palavras de estímulo a Comissão para que as mesmas não tivessem solução de continuidade. No início de 1974, o casal Júlio e Edith Giorgi, já grande benfeitor da Paróquia, decidiu assumir o ônus da conclusão e do acabamento da Igreja.

Neste relato, necessariamente sucinto, não cabem maiores detalhes sobre o desenvolvimento dos trabalhos, nem sobre os percalços inevitáveis em obras do gênero. Apesar das crises financeiras       que, nesse ínterim, surpreenderam o país, a construção logrou chegar a termo, num período de tempo relativamente curto para uma obra de tal monta.

Seria, aqui, muito agradável, e de justiça, citar as generosas dedicações, que permitiram levar a cabo este belo edifício sacro, a começar pelo doador do terreno, o pranteado homem público, Brigadeiro José Vicente de Faria Lima, e dos arquitetos que, graciosamente, projetaram e acompanharam a construção de uma obra a que faz jus e sua reconhecida competência. Os membros das várias comissões, os doadores, conhecidos uns, anônimos outros, têm seus nomes inscritos no livro da gratidão de Deus, o qual, pela intercessão dos Apóstolos Pedro e Paulo, há de retribuir-lhes, na medida que só Ele conhece.

Esta Igreja já conseguiu ultrapassar as fronteiras do Brasil, a ponto de os Grandes Mestres da Pintura contemporânea, Marc Chagall e Salvador Dali, consultados pela Comissão, terem-se proposto confeccionar-lhe os vitrais, reconhecendo o alto padrão arquitetônico do edifício. Estas e outras obras de arte, destinadas a completar-lhe o conjunto serão, com a ajuda e a generosidade dos fiéis, o coroamento desta bela casa de Deus, em meio às casas dos homens. A arte foi sempre um apanágio da Igreja, pois através dela, o homem descobre aquela Beleza Antiga, fonte de toda beleza criada, de que falava Santo Agostinho.

Os paroquianos de São Pedro e São Paulo hão de fazer desta a sua casa e buscar nela aquele alimento do espírito, que só a Fé e o Amor podem proporcionar.

São Paulo, 19 de dezembro de 1976

Padre José Griecco Pároco